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Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: o sonho da equidade está ficando velho

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: o sonho da equidade está ficando velho

Lá se vão 28 anos da época em que eu era um adolescente de 16 anos, surdocego, com hidrocefalia e doença rara.

Alex Garcia BLOG 227 views 0 min. de leitura

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Um jovem com muitos sonhos e uma gigantesca esperança de que nós, Pessoas com Deficiência, conquistaríamos a tão abençoada equidade social, uma virtude que se manifestaria como um senso de justiça, de imparcialidade (não-seletividade) e de respeito à igualdade de direitos.

Apesar da pouca idade, já observava que a falta de equidade estava claramente muito além da relação entre Sociedade e Pessoa com Deficiência, o problema era ainda maior, a falta de equidade já se fazia presente entre as próprias Pessoas com Deficiência e, logo viria a se transformar na mais pura seletividade de direitos.

Passaram-se 28 anos desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu em 1992 o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que desde então passou a ser comemorado no dia 03 de dezembro.

Hoje não mais um adolescente, mas um “calejado” homem de 44 anos, sou uma pessoa surdocega, com hidrocefalia e doença rara, um educador e ativista que por incrível que pareça, segue bastante teimoso e ainda sonhando com a tal equidade – que tudo leva a crer – se perdeu ou jamais chegou a existir naquela mente e coração juvenil.

Ao longo dos anos 2000 pude colaborar com debates e formulação daquela que viria ser a nossa maior ferramenta: a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência.  A Convenção da ONU foi o que acalentou um pouco o temor sobre o avanço avassalador da seletividade entre nós – Pessoas com Deficiência –, quando firmou em seu preâmbulo:

“j) Reconhecendo a necessidade de promover e proteger os Direitos Humanos de todas as Pessoas com Deficiência, incluídas aquelas que necessitam um apoio mais intenso”.

O acontecimento foi um alento, mas como eu temia, em prática tornou-se pouco ou nada efetivo.

Após inúmeras experiências frustrantes, comecei a defender o seguinte: na prática, existem as Pessoas com Deficiências mais frequentes, são esses os que têm maior visibilidade e são vistos com menor complexidade. De forma similar, existem também as Pessoas com Deficiência menos frequentes, sendo os que mais sofrem com a invisibilidade e são tratados com maior complexidade.

Fica evidente para mim, que a amplitude das relações de poder, dos interesses e das trocas de favores utilizam do termo “Para Todos” como forma de camuflar e mascarar a real seletividade de direitos. Nesse contexto observa-se que, enquanto a Pessoa com Deficiência mais frequente está mais próxima da inclusão, a Pessoa com Deficiência menos frequente está mais próxima da exclusão e abandono.

Apesar de abordados constantemente, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável possuem meio apoio incondicional, o que deixa muito clara a necessidade de trazê-los como discussão neste 03 de dezembro de 2020, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, fazendo o alerta: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável somente serão efetivos para a humanidade quando ações-ferramentas concretas forem desenvolvidas para que Pessoas com Deficiência menos frequentes tenham tantas possibilidades de avançar em busca de uma maior-melhor equidade, quanto Pessoas com Deficiências mais frequentes.

 

 

Leia mais conteúdos relacionados aos direitos das pessoas com deficiência: PCD: EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA

 

Créditos foto: UNIPAR

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Alex Garcia
Alex Garcia

Consultor e Gestor de Qualidade. Especialista em Educação Especial, Fundador e Presidente da Agasparm, Colunista da Revista Reação. Pessoa Surdocega.

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