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Baixa visão: Um relato de quem vive 13 anos com a deficiência

Baixa visão: Um relato de quem vive 13 anos com a deficiência

Daiane Santos é nossa gestora de qualidade e convive com baixa visão há 13 anos, com várias experiências de vida ela conta como foi sua trajetória desde quando teve o diagnóstico até hoje, confira:

Assessoria de Imprensa BLOG 1536 views 4 min. de leitura

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Viver com baixa visão é uma tarefa nada fácil, é uma deficiência que te deixa no limbo (como se a deficiência em si já não fosse viver de incertezas). Com baixa visão, você não é 8 nem 80. Não é cego, porém também não enxerga, a dificuldade é imensa, tanto para a pessoa deficiente quanto para os que a rodeiam.

Há 13 anos, um descolamento de retina, resultado de uma miopia grave reduziu minha capacidade de enxergar. Com 11 anos de idade eu enfrentei todas aquelas lindas e complicadas descobertas da pré-adolescência, junto com o desafio de viver com deficiência em um mundo pouco inclusivo.

 

Acessibilidade e educação

Naquela época, a tecnologia ainda não era essa maravilha que é hoje, com aplicativos que auxiliam a nossa vida em vários momentos. As pessoas ainda não tinham o conhecimento que têm agora, e o ensino público então? Nada preparado para receber alguém com baixa visão como eu. Descobri sozinha e da pior forma que precisava de ajuda para realizar rotinas comuns do dia a dia. Senti na pele como é difícil pedir ajuda em um mundo que nos instiga a cada dia ser mais independentes. Talvez pedir ajudar seja uma das nossas maiores demonstrações de humildade.

Professores e colegas não tinham o mínimo de preparo necessário para oferecer suporte a uma pessoa com baixa visão durante a trajetória acadêmica, tão pouco se falava em empatia. Por vezes enfrentei instantes de extrema negação da minha condição e tive que lutar muito para conseguir o simples direito de sentar em dupla, ou ter meu material com letras ampliadas para poder estudar com mais facilidade.

 

Momentos de negação e REAÇÃO

Passei por momentos em que eu não aceitei não conseguir sem ajuda e outros que ninguém acreditava que eu realmente precisasse ser ajudada. Vivi dias nos quais pensei em desistir de estudar, felizmente minha vontade de concluir o ensino médio era maior.

Concluindo o ensino médio, o desafio a seguir foi entrar no mercado de trabalho. Meu primeiro emprego foi como monitora de crianças com deficiência em uma escola municipal, ali cercada de crianças enfrentando dificuldades iguais às que enfrentei, vi uma forma de ajudar. No entanto mais uma vez o despreparo falou alto e o problema que me levou a ter baixa visão, também aumenta o risco de perda total da visão e fui demitida com apenas dois meses de trabalho.

Naquele momento, me senti incapaz, mas como sempre Deus me mostrou outro caminho. Consegui emprego em uma loja de roupas onde trabalhei por um ano. No final de 2017 passei a trabalhar no administrativo de um laboratório, em uma universidade próxima da minha casa. Sempre trabalhei com muito amor, em tudo que fiz, mesmo com todos os obstáculos a minha frente. Algum tempo depois em fevereiro de 2018 fui chamada para assumir o cargo de agente administrativo na prefeitura de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, onde trabalho atualmente.

Todas as oportunidades de emprego que tive, como PCD com baixa visão eram voltadas para pessoas com deficiência, isso é algo maravilhoso, pois demonstra que mesmo andando a passos lentos, a inclusão existe e faz com que pessoas como eu tenham a chance de mostrar seu potencial. 

Dificuldades todo mundo tem, são problemas rotineiros que criam obstáculos no dia a dia de qualquer um. No entanto, minha vida veio com um ingrediente a mais, que sim, dificulta bastante uma vida comum, mas também abre portas que eu jamais imaginei entrar. Isso é pauta para um novo capítulo da minha história, o qual com muita felicidade ainda estou escrevendo.

Por Daiane Santos

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